O ano começou com
inúmeros artigos e matérias fazendo (ou tentando fazer) previsões de como 2017
será para o mercado imobiliário, mas, muito pouco se mostrou do que os
empresários deste setor farão, de fato, em 2017, sob um ponto de vista mais
ativo e menos passivo, do assunto, apontando quais deverão ser os principais movimentos
dos incorporadores neste novo ano.
Tendo em vista
a perspectiva de que a Selic vai
baixar ainda mais, é possível planejar o ano dentro de um cenário positivo.
Como consequência desta queda da taxa básica de juros, os financiamentos bancários
para o cliente final voltarão a ter taxas mais atrativas, o que, provavelmente,
facilitará a venda de imóveis, e o financiamento à produção voltará a dar boas condições
para os construtores, o que, viabilizará novas obras.
Assim, depois
de dois anos bem árduos, os incorporadores e demais empresários da construção
civil, certamente, deverão conseguir fazer de 2017 um ano próspero e de
recuperação para o setor.
Em termos
práticos do que se promete para o ano, deve-se intensificar a pauta com as
autoridades em busca de regulamentação para os casos de distratos, que foram os
grandes vilões para o aumento, nunca antes visto, do número de unidades em
estoque. Espera-se que Estado e empresários cheguem a uma boa solução, pois a
falta de regras e de legislação específica sobre o assunto foi muito
prejudicial a todos, incluindo clientes.
Devido aos estoques
ainda altos, o foco das empresas deve se manter para a venda de imóveis
prontos, uma vez que estes consomem muito caixa para sua manutenção. Para isso,
manter equipes de vendas próprias tem sido a estratégia de muitas
incorporadoras, já que, desta forma, garantem atenção exclusiva para seus
produtos e não dependem, unicamente, de outras empresas de vendas. Assim, este
ano de 2017 já se iniciou com muitas vagas disponíveis no mercado para
corretores e gerentes de vendas.
Dando respaldo
para a atuação do corpo de vendas, outro assunto que deve continuar com extrema
relevância no ano para o mercado imobiliário é o marketing eficiente. O objetivo de todos do setor é realizar
campanhas que atinjam o público alvo com menos verba dispendida e obtenham mais
vendas convertidas. Nesta linha, é possível notar o fortalecimento maciço das
mídias digitais, mas esta estratégia vai exigir mais rapidez na tomada de
decisões e na resposta aos clientes por parte das empresas para se atingir o
resultado esperado, já que o mundo virtual tem outra velocidade.
Trabalhando,
arduamente, com esses dois pilares (vendas & marketing), somado a melhora das condições de crédito no país,
fatalmente, os estoques (primeiramente de imóveis residenciais) tendem a
diminuir muito neste ano. Assim, o próximo ponto de concentração das
incorporadoras deve ser o lançamento de novos empreendimentos, mais fortemente,
a partir do final do terceiro trimestre de 2017.
Para tanto,
espera-se que as empresas já estejam com o landbank
alinhado com os seus interesses atuais e,
se não estiverem, que os primeiros meses do ano seja de trabalho intenso para
aquisições e vendas de terrenos.
Outra etapa de
trabalho que antecede aos lançamentos, propriamente ditos, é o desenvolvimento
de projetos e as aprovações destes nos órgãos públicos. Devido às eleições
municipais, muitas Prefeituras “congelaram” suas análises de projetos no fim do
ano passado e, portanto, o início de 2017 também deve ser de retomada destes
processos, aos quais é importantíssimo que as equipes de incorporação deem
muita atenção e celeridade, pois, “beberá mais água limpa” aqueles que saírem na
frente na retomada do mercado e, para isso, se liberar da etapa da burocracia
das legalizações é sinônimo de ser dono do seu tempo.
Devido a todo
esse trabalho que antecede ao novo ciclo, é possível, também, vislumbrar para
este ano uma recuperação, mesmo que ainda parcial, de toda a cadeia produtiva
do setor da construção, a começar pelos consultores, arquitetos e projetistas,
que são contratados para estas etapas iniciais.
O clima é positivo,
porém, longe da euforia de anos anteriores. Por isso, a grande parte dos
incorporadores deverá lançar projetos menores este ano, com VGVs (Valor Geral de
Vendas) não tão altos e com um número menor de unidades à venda em cada
empreendimento, para, desta forma, minimizar os riscos desta retomada e
consumir menos recursos, uma vez que preservar caixa também continuará sendo
uma das principais premissas dos empresários, em 2017.

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